Dito isto...
Estou a ler 'A primavera negra' do Henry Miller (suposta obra prima no estilo de cronica) e, embora o início dos capítulos seja muito envolvente, rapidamente se torna moroso, com parágrafos extensos e metáforas e ações extrapoladas. E dou por mim desconcertado e a saltar páginas à frente. E claro, Filipe como sou, auto crítico e com tendência haraki, não perco tempo a culpabilizar a minha incapacidade geracional de me deixar conquistar por textos mais densos ou figurados (- porque, se na altura resultou, então claramente o problema sou eu). Mas ponho-me a rever essa conclusão e não acho que se sustente tão bem assim. Porque de facto consumo peças extensas e também me harmonizam e entretêm os clássicos. E não descartando a possibilidade da minha falta de intelecto ou sensibilidade (mas das quais, neste caso, insuspeito por adorar a escrita em fluxo de consciência), permito-me a testar outra hipótese: Tendemos a valorizar a arte antiga e a rebaixar a moderna ao entretenimento vaz...