em novembro
A janela aberta que me separa do temporal traz-me ventos de Natal e, com isso, antigas fantasias. A vista não é romântica. Do exterior vejo lamacentas e, ao longe, o piscar dos néon dos restaurantes fast-food.
Ultimamente tenho-me vadiado numa rotina boémia. Há uma linha ténue entre a criatividade e a preguiça e nos dias em que nada crio creio, realmente, pecar. Dá-me medo existir assim; e este medo logo se torna desejo e anseio.
Há uns dias lembrei-me que quando era mais pequeno costumava atirar-me de sítios altos. Fazia-o como forma de ganhar estatuto e impressionar as raparigas. Hoje, pensando nisso, não sei como não estraguei os joelhos; talvez tenha estragado. Dizem que a velhice nos arruína o corpo, mas na verdade é a juventude.
Não sei quando há de ter terminado a infância. Talvez tenha sido quando dormir passou a saber melhor que ver desenhos animados de madrugada. Ou quando o Natal passou a ser mais de todos do que só meu.
Mas o Natal não é a ceia do 24, e muito menos a do 25. Natal não é um evento estagnado. Natal é toda a preparação e a memória que depois fica. Natal é a ânsia; é a espera pela meia-noite que não precisa de vir. Natal é a lareira que queima na casa dos pais e as roupas ternas em que nos embrulhamos em roupas ternas. Natal é poesia em prosa; é a chávena quente nas mãos. Natal não é a comida, é o cozinhar. É o licor por abrir e os livros por ler. Natal é ser adulto e poder ser criança.
Ultimamente tenho-me vadiado numa rotina boémia. Há uma linha ténue entre a criatividade e a preguiça e nos dias em que nada crio creio, realmente, pecar. Dá-me medo existir assim; e este medo logo se torna desejo e anseio.
Há uns dias lembrei-me que quando era mais pequeno costumava atirar-me de sítios altos. Fazia-o como forma de ganhar estatuto e impressionar as raparigas. Hoje, pensando nisso, não sei como não estraguei os joelhos; talvez tenha estragado. Dizem que a velhice nos arruína o corpo, mas na verdade é a juventude.
Não sei quando há de ter terminado a infância. Talvez tenha sido quando dormir passou a saber melhor que ver desenhos animados de madrugada. Ou quando o Natal passou a ser mais de todos do que só meu.
Mas o Natal não é a ceia do 24, e muito menos a do 25. Natal não é um evento estagnado. Natal é toda a preparação e a memória que depois fica. Natal é a ânsia; é a espera pela meia-noite que não precisa de vir. Natal é a lareira que queima na casa dos pais e as roupas ternas em que nos embrulhamos em roupas ternas. Natal é poesia em prosa; é a chávena quente nas mãos. Natal não é a comida, é o cozinhar. É o licor por abrir e os livros por ler. Natal é ser adulto e poder ser criança.
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