Sempre folgo, folgo nunca
Quando levanto a meio da noite desaprendo o meu andar
Ando às turras contra paredes e nem roupão sei colocar
Tenho o frio fragilizado de carcaça que quer pousar
Regresso ao colchão encantado para os olhos encerrar
Estico um braço bem pesado para o relógio entrever
São caracteres enumerados de um tempo sem dever
Sempre tarde ou sempre cedo a essa hora vou erguer
Mas hoje durmo descansado e lá fora está a chover.
Cubro-me de esquimó e não tenho para onde ir
Às tentações fora do quarto hoje sei bem resistir
Nunca maior do que criar foi a vontade de dormir
Ressuscita o meu arquétipo que por dentro vai esgrimir
Debate palavras e métricas sem versos maior
Para assim ser mais fácil o texto saber de cor
Escrever em infantil não queima nem sente dor
Escutar-te sobre a arte é o meu poliamor.
Repouso nas grosserias que as dobras da minha alma faz.
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