Quando, ao ponderar sobre o decorrer da realidade, deparo-me várias vezes com o problema da sua exatidão - a banal, mas ainda complexa, questão de que a vida é como o Invictus, ou se estamos completamente programados, fantoches num vento surreal a que chamamos destino. A ideia de acreditar que somos donos de nós mesmos é quase tão romântica como acreditar que estamos à mercê das casualidades temporais. Sentir que controlamos tudo é quase tão mítico como acreditar de que estamos insentos de poder - é igualmente assustador e, ao mesmo tempo, libertador - porque assim obtemos uma resposta que, fugazmente, nos sossega e conforma.
    A teoria do determinismo moderado é a que sempre fará algum sentido para mim. Tudo que existe é um Yin Yang, o preto e o branco, o sol e a lua, o sim e o não. Nada o é sem um oposto. O livre arbítrio na sua forma plena nunca existiria sem um determinismo cósmico absoluto. A realidade é, por si só, paradoxal. O determinismo e a liberdade em presenças individuais são falaciosas. Sim, somos livres, mas dentro de um quadro de condicionantes, sejam elas de que tipo forem. Embora este pensamento pareça ser o mais desinteressante dos três é, na verdade, o mais lírico deles todos. Isto porque só com uma moderação da realidade poderemos ter alguma forma de poder - o de contrariar a normalidade. Como sabemos, com a filosofia do total planeamento da fortuna nada poderiamos alcançar. O mesmo acontece com a filosofia da absoluta liberdade - seriam os nossos atos considerados dignos e denominados 'feitos' quando não contrariamos barreiras? Na ausência de obstáculos, que o libertismo não permitiria, nada seria objeto de mérito ou imortalidade. A vida assim seria muito simples e, como sabemos, não o é.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O apagão

pão com manteiga

O mundo é grande demais para não o fazer mais vezes