Ânsia

    Ansioso, talvez até um pouco instável. Deito-me sem estar cansado e sinto uma fome enorme que me volta a levantar. Vontade. Sinto desejo de dar um pouco de mim a alguma coisa. Estar parado dói-me. Vou ao armário e abro a pequena garrafa de licor e, sem pensar, encho o copo. Volto-me para o papel e beberico um pouco. Há qualquer coisa dentro de mim que está ansiosa por se soltar. Um desassossego que me faz querer sair e atirar-me a algo. Volto a beber. Escrevo apenas para ver se o desejo fica saciado, mas por enquanto nada. Objetivos remexem-me e ocupam-me a mente. Temperança. Volto a encher o copo. Lá fora é de noite e em nada se parece com o verão. Está frio, mas uma brisa agradável para quem está de garganta quente. Posso confessar que me sinto bastante realizado. Mas a tempestade que me ocupa demonstra insatisfação. Quero mais. Pauso a escrita e entorno o resto do licor no copo. Em vez de beber dou por mim a apreciar o belo cálice. Apercebo-me que não é apenas o líquido que me está a dar prazer, é todo o cenário. Embebo e olho por um segundo para a outra garrafa. Fica para a próxima. Só agora começo a compreender, excluindo clichés, a importância do “contente mas nunca satisfeito” em fazer um humano desenvolver. Sinto que tudo está bem encaminhado mas quero dar mais significância ao caminho. Inspiro. Ultimamente ocupo-me com estratégias e realizações, apesar de o fruto ainda ser bastante verde.
    Já me sinto mais calmo, um pouco cumprido. Até acho que me fartei por hoje.

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