Antes dos coros, demora-se a guitarra da Sun King e o chá fumega no aposento de matização terne. Os acordes oscilam o fresco de um fim de banho. Uma rotação que, como tantas outras, anoitece cedo. Poupe-se o sol se já de luz estamos nós. Perto de mim um Nobel de capa dura. Azul marinho e páginas amarelas de recalques da existência. Lá de fora, pela tímida abertura da janela, apresenta-se o aroma a Inverno - o cheiro da noite enquanto ainda é dia. Essência e silêncio são a aura da sala e de toda a casa. O escuro, instantes seguidos, idem. Sobrevivem somente os frágeis traços da chuva que caem dos canais. Sobejos de bravura líquida que rejeitam tombar no sobrado. 

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