Notas de um jovem imundo
o gajo da mullet passa a vida a fumar ganzas, mas entrou no curso de astrofísica com honras e acho mesmo que o chegou a acabar. Depois do serviço militar obrigatório fartou-se e hoje em dia faz vídeos e para a semana vai ao Dubai cobrir um evento qualquer.
Atenas tem em si quase metade da população da Grécia e eu cá acho que vieram todos parar a este bar. Mas está um frio do caralho e não percebo porque é que estamos todos cá fora. Lá dentro há menos gente e a música é melhor, mas estamos de cu colado às cadeiras de metal e só o descolamos para ir buscar os amendoins ao centro da mesa, que alguém pagou e não fui eu.
há a professora com tatuagens, a psicóloga de cabelo curto e o médico que não para de beber. A empregada chupa o sal dos dedos e pergunta-nos se queremos mais alguma coisa. Eu quero é um de chá com bebida vegetal em casa, mas pedem mais uma ronda de amendoins e não me resta fazer mais nada senão comer.
encontro uma pequena moeda no bolso quando tento aquecer a mão cada vez mais grossa de frieiras. Apetece-me cruzar a perna para me aquecer do frio, mas com estas calças justas ia passar por paneleiro.
ah, que se foda, e cruzo. Sinto-me bem melhor. Um gajo ao longe olha-me de cima a baixo e mando-lhe logo um beijo. De pé a um canto está uma rapariga bonita. Como não lhe posso mandar um beijo, olho-a de cima a baixo, mas vira a cara enjoada e foge para dentro no bar. Também quero ir mas tenho medo que ache que a estou a seguir, na verdade só quero mijar.
chega a conta para pagar e aproveito a deixa para me aliviar. Ao balcão pergunto o nome da música, Yeda Yung do DSA, não conheço, mas fica ótima no azul fluorescente do banheiro.
desço e já não está lá ninguém. Foram-se embora e esqueceram-se que não sei o caminho. Mas também se esqueceram do milho frito, por isso não deve ser nada contra mim. Deixo a moeda preta como gorjeta e trouxe os restos de uma cerveja comigo.
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