Estrela do mar
Faleceu o Jorge Palma. E o que eu tenho vindo a perceber, também com a partida do Luís Represas e do Fausto, é que há músicas que só existem na minha vida por causa do meu pai. Por isso a morte do artista, embora custe, é partilhada. A ausência não é tão sentida, porque é como se as músicas fossem, não apenas músicas, mas o meu pai. Há artistas que são de facto só meus e vou sentir muito a sua inexistência. O Dylan, Deniro, Eminem, Bryan Adams. Descobri-os por mim, numa experiência muito individual. Mas todos estes grandes trovadores, onde também insiro o Sting e o Sérgio Godinho, surgiram numa experiência coletiva com o meu pai; experiência essa que eu tentava rejeitar. Quando aos 5 anos me queixava, porque só queria ouvir Dzr't e Tókio Hotel e ele punha José Mário Branco, ele respondia: "eu quando era pequeno era como tu; Também dizia ao meu pai que não gostava das música dele, e agora choro sempre que as ouço". E eu agora também choro sempre que as ouço.