No natal passado, já empanturrado de comida e suores quentes, senti uma secura que me deixou sem forças. Descansei um pouco, dei uns goles na água gaseificada, e o estômago voltou a abriu espaço para a fome. Olhei para o banquete de doces trincados, e optei por uma manga, demasiado madura, ali esquecida numa cesta à mesa. Sentei-me para a descascar e mordi-a até ao fundo, ao ponto de me jorrar sumo pelos cantos do queixo. Soube tão bem. Realmente não há nada como o que a natureza tão descomplicadamente nos oferece. Aquela fruta não me soube só pela vida; soube a vida. A cada nova trinca, mais hidratado, passei a sentir-me verdadeiramente saudável. E sinto-me assim muitas vezes. Quando troco uma hora de sono extra por uma caminhada fria, ou me deixo a ler ao sol com uma bebida fresca. Sinto-o quando como comidas leves, ou depois de uma corrida longa, e quando acordo sem pressa nenhuma. Sinto-o quando bebo água de uma só vez depois de um pico de sede, e quando termino de escrever ou deco...