E se as coincidências, em vez de Mágicas Forem, na verdade, O Universo a ser preguiçoso?
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Nas mangas de março
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No natal passado, já empanturrado de comida e suores quentes, senti uma secura que me deixou sem forças. Descansei um pouco, dei uns goles na água gaseificada, e o estômago voltou a abriu espaço para a fome. Olhei para o banquete de doces trincados, e optei por uma manga, demasiado madura, ali esquecida numa cesta à mesa. Sentei-me para a descascar e mordi-a até ao fundo, ao ponto de me jorrar sumo pelos cantos do queixo. Soube tão bem. Realmente não há nada como o que a natureza tão descomplicadamente nos oferece. Aquela fruta não me soube só pela vida; soube a vida. A cada nova trinca, mais hidratado, passei a sentir-me verdadeiramente saudável. E sinto-me assim muitas vezes. Quando troco uma hora de sono extra por uma caminhada fria, ou me deixo a ler ao sol com uma bebida fresca. Sinto-o quando como comidas leves, ou depois de uma corrida longa, e quando acordo sem pressa nenhuma. Sinto-o quando bebo água de uma só vez depois de um pico de sede, e quando termino de escrever ou deco...
amores que não existem
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são amores que não existem mas os sonho algumas noites paixões no apagão persistem q'a manhã mata com as foices quando acordo faço o esforço não vá o mundo as esquecer mas as almas afundam no poço castigo que não fiz por merecer Fico sozinho nos lençóis frios ranger de dentes em quarto profundo os olhos claros e os loiros rios Esses perdi-os no submundo
Isto não é uma pub
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O meu irmão trabalha no McDonald’s e com o tempo foi acumulando cupões de refeição. No Natal, para gozar comigo, ofereceu-me 5 vales para gastar até ao final do ano e então fui lá hoje. Não como isto desde 2019, mais por recorde do que por outra coisa, mas estamos a falar de 5 refeições à pala - outro recorde que não me importo de adicionar ao meu arsenal. A minha mãe sugeriu irmos a outra franquia que não a dele para “não envergonhar o miúdo” e eu concordei. Quando venho a casa, uso quase sempre os fatos de treino do meu irmão porque deixo a minha roupa em Lisboa, por isso entrei, que nem um mãos largas, de calças de pijama no restaurante. Atravesso em câmara lenta o amontoado de pessoas que vão reclamando com o touchscreen das máquinas de self-service e vou diretamente à caixa, completamente vazia. Atiro os cinco cupões, que nem um dealer de casino, para o balcão, e o gajo fica a olhar para mim enquanto me esbanjo...
Dias que são Matinés
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É impressionante a rapidez com que o tempo passa. Fui ao cinema com a Beatriz e percebemos que já se passaram 4 anos desde o verão em que tínhamos namorado. Foram as semanas de fantasia de dois putos que se conheceram numa audição e estavam prestes, cada uma à sua maneira, a sair do ninho. Lembro-me que no último dia juntos, levei-a a uma aldeia para que se despedisse da campa da avó. Chegados ao cemitério, encontrámos os portões fechados, e ajudei-a a saltar o muro e esperei, enquanto os corvos rasavam por perto. Depois das rezas, fomos a um rio e deixamo-nos deslizar pela rocha escorregadia até à água que refletia o verde das árvores. Não me lembro de mais nada desse dia, além de que me esqueci dos faróis do carro ligados e tivemos que bater à porta das casas ao longe para encontrar alguém com carregador. Hoje em dia encontrámo-nos sempre por esta altura quando vimos visitar a família. Lembro-me que há uns anos, meia receosa com a respos...
Atrasos
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A linha do metro é nova e perdi-o pelos 13 segundos em que deixei cair a mala enquanto atravessava a cancela. O próximo, amarelo, demorou 9’50” a chegar, e foi o suficiente para ir o resto do caminho a fazer força mental para que o relógio demorasse mais tempo a passar. Fiz transbordo na Alameda e, percebendo que tinha ainda 11 minutos pela frente, peguei no telemóvel e pus-me a corrigir os erros de uma nota que tinha escrito. “Acho que vou chegar atrasado”, escrevi num SMS, e pus-me a olhar para a planta dos transportes, com o punho cerrado e o pé tilintante. Na paragem de Cabo Ruivo, pus o passe em riste, agarrei a mala com força, puxei ao máximo as calças para cima e tirei o som dos fones de ouvidos. Mais uma e saio. Abrem-se as portas do Oriente e começo a correr. Subo pelas escadas da esquerda, ziguezagueio entre as pessoas e disparo na direção dos autocarros. Deslizo na travagem para o exterior e c...